Por favor, faça o login ou cadastre-se
| Dados Geográficos | História | Cultura | Danças | Música | Gastronomia | Cinema | Turismo | Economia |
A música Angolana foi moldada tanto por um leque abrangente de influências como pela história política do país. Durante o seculo XX Angola foi dividida pela violência e instabilidade política. Os seus músicos foram oprimidos pelas forças governamentais, durante o período da colonização portuguesa. Ao longo dos anos, a música angolana influenciou também o Brasil e Cuba.
Nas últimas décadas do controle colonial, Portugal encorajou activamente a produção e gravação de música de artistas locais. Criou-se então os Estúdios Valentim de Carvalho, em Luanda, que apenas cessam a sua actividade em 1975. O resultado foi uma mini-indústria que, combinada com a excitação da liberdade que se antevia, viu nascer excelentes músicos e diversos estilos originais entre meados dos anos 60 até à Independencia.
Luanda, capital e maior cidade de Angola, é o berço de diversos estilos muisicais como o merengue angolano, kazukuta, kilapanda e semba. Na ilha ao largo da costa de Luanda, nasce a rebita, um estilo que tem por base o acordeão e a harmonica.
O semba, que partilha raízes com o samba (de onde a palavra tem origem), é também predecessor da Kizomba e Kuduro(ver danças de Angola, neste site). É uma música de características urbanas, e surge em varias cidades, em especial com o crescimento de Luanda.
O primeiro grupo a tornar-se popular, dentro e fora de Angola, foi a Orquestra “Os Jovens do Prenda”.
O grupo foi fundado em 1966 por jovens residentes na comuna do Prenda, tendo como base instrumentos tradicionais de percussão e um violino. Fundado nos finais dos anos 60, os “África Show” foram o primeiro entre os grupos angolanos a introduzir o órgão no seu aparato de instrumentos. África Show acompanhou vários artistas durante a sua vigência. Gravou com artistas como Zé Viola, Urbano de Castro, Óscar Neves, António dos Santos, Quim dos Santos, Elias Dia Kimuezo, Duo Mumulha, entre outros. A sua linha melódica estava mais virada para o lado sentimental, sem descorar o semba.
“Os N’Goma Jazz” formaram-se em 1964 por Caetano de Lemos, Sebastião Matomona, Mangololo, Domingos Ferreira, Garcia Kapioto, Zé Manuel e Augusto Pedro, e foram considerados um dos melhores grupos dos anos 70. Acompanharam também, entre outros, Urbano de Castro. São também referência desta época os grupos Os Kiezos e os N’Gola Ritmos.
Alguns dos cantores destes grupos notabilizaram-se como solistas. Carlos Lamartine iniciou sua carreira artística em 1956 como crooner, cantando para distintas turmas da capital angolana, até 1958. Foi posteriormente percussionista no grupo liderado por Sousa Júnior. Criou a turma «Macocos do Ritmo», e foi vocalista dos «Águias Reais». “Os Águias Reais” introduziram os instrumentos de sopro no seu conjunto, sendo um dos primeiros grupos a fazê-lo. Com Barceló de Carvalho «Bonga», outro insigne da música angolana, fundou “Os Kissueia” nos anos 60, no bairro do Marçal. Kissueia é uma palavra kimbundo que se refere à miséria dos bairros pobres.
Os Kissueia faziam parte dos músicos nacionalistas que cantavam a mensagem sobre a necessidade do alcance da independência. Contavam com o apoio do povo e muitos sofreram perseguições e represálias do sistema vigente. Nos cantores de intervenção, merecem ainda destaque os casos de Belita Palma, Minguito, Artur Nunes, Luís Visconde, Sofia Rosa, Mestre Geraldo e Maestro Liceu Vieira Dias (Carlos Aniceto Vieira Dias), entre outros.
O Maestro Liceu Vieira Dias é considerado o pai da música popular angolana. Numa base de violas acústicas, introduz a dikanza (reco reco) e as n´goma (tambores de conga) nas suas canções. O seu som torna-se popular na década de 50, nas áreas urbanas, onde a audiência é favorável à sua mensagem politizada e aos primeiros pensamentos nacionalistas.
Mário Silva, vocalista da Banda Kissanguela foi autor de canções de referência no anos 50, 60 e 70, com dois singles editados em 1973: “Maza” e “Bossa do Violão”. Foi contemporâneo de Santos Júnior, Artur Adriano e Filipe Mukenga.
Artur Adriano teve em “Belita” a maior referência do seu repertório. “Kalumba” é também um clássico. Artur Adriano compôs músicas em que exaltou a beleza feminina, ocorrências do quotidiano do musseque, num processo de integração musical consubstanciado nos valores da cultura nacional.
Mário Rui Silva aprendeu a gostar de jazz com o pai, que foi também responsável pela influência da irmã Ana Paula. Um amigo violinista, Tomás, leva-lhe uma banda magnética com a célebre música “Luanda”, de Eleutério Sanches, e aguça-lhe o gosto pela música angolana. Os dois irmãos, com o amigo Totota, formam os “Twists” e mais tarde os “Jovens”. Por volta de 1968, trava conhecimento com Fausto e com os poemas musicados de autores angolanos, que lhe servem de inspiração. Adere a tudo o que diga respeito à luta pela independência. Óscar Ribas, seu vizinho, oferece-lhe o livro de sua autoria – “Izomba” – que se torna uma biblía para Mário Rui Silva. Conhece Liceu Vieira Dias, com quem trava grande amizade, e tocam juntos com frequência, em casa do Mestre, trocando ideias sobre os acordes dissonantes de que Mário fazia uso. É Liceu Vieira Dias que motiva Mário Rui Silva a estudar o violão comum, as músicas populares do seu tempo e as suas origens.
Sofia Rosa nasceu no Ambriz, província do Bengo e viveu no bairro da Samba, em Luanda. Em 1963 integra como cantora no agrupamento Teatral Ngongo, fundado por José de Oliveira Fontes Pereira. Participa numa digressão do grupo a Portugal e grava para a televisão. O seu primeiro "single" foi gravado em 1970, seguindo-se depois “sete”, todos pela Valentim de Carvalho. Sofia Rosa foi uma das melhores criadoras e intérpretes da música em língua nacional kimbundu, traduzindo o pulsar da vida da gente pobre. No tema "kalumba" louva a beleza da mulher.
O dia a dia, as lamúrias proferidas pelas gentes das sanzalas, bairros e musseques, o sentimento do amor e perseverança estão contidos nos seus trechos que transportam o público para o mundo da saudade nas aguarelas angolanas, dia do trabalhador, kutonocas, farras onde Sofia Rosa arrastava multidões. Sofia Rosa esteve também vinculado aos “Corvos”, mas todo o seu talento artístico veio à tona com "Os Astros" com quem gravou "Kalumba" e "Ngue Xile Ku Tunda Bu Sambila". A artista morreu em 1975.
Elias diá Kimuezo é o Rei da Música Angolana. Nasceu no Bairro Marçal, com o nome de Elias José Francisco, no dia 2 de Janeiro de 1936. Aos 7 anos de idade, torna-se órfão, facto que o obriga mais tarde, aos 12 anos a ir viver em casa da avó, no Bairro Sambizanga, onde aprende a comunicar-se de forma fluente, na sua língua materna o kimbundo.
A sua constante frequência no Samba Kimúngua, na zona do Bungo em Luanda, onde residiam vários operários do Porto e dos Caminhos de Ferro que tocavam e dançavam o Kinganje, fez com que descobrisse, aos 15 anos de idade, a sua vocação artística, que o leva a integrar-se na Turma do Margoso, como vocalista principal e tocador de bate-bate. Dois anos mais tarde, muda-se para o agrupamento Os Kizombas, que naquela altura, tocava nas farras do Salão Malanjinho no Bairro do Sambizanga. Com o tempo foi-se aprimorando na arte de cantar, e tornando-se cada vez mais conhecido.
Em 1969 surge o Festival Folclórico das províncias Portuguesas, a ter lugar em Portugal, e o mesmo é convidado, para, com o Grupo de Rebita do Mestre Geraldo e Os Marimbeiros de Duque de Bragança, oriundos de Malanje, representar a Província de Angola. O seu desempenho artístico, como o dos restantes artistas, mereceram elevados elogios da crítica e dos analistas culturais locais, pelo que lhe foi colocada a proposta, prontamente aceite, de gravar 2 “singles” para a editora Valentim de Carvalho. Foram então feitas as respectivas gravações, “Mualunga”, “Ressurreição”, “Muenhu Ua Muto” e “Zum-Zum”, que tiveram as participações de Barceló de Carvalho (Bonga), Rui Mingas, Teta Lando e dos Marimbeiros de Duque de Bragança. O lançamento das obras, com muita pompa e circunstância, teve lugar no Cine-Restauração, um dos cinemas mais chiques de Luanda. O sucesso crescia dia após dia, e em face disso, Elias diá Kimuezu, é galardoado com o título de “Melhor Intérprete da Canção Angolana”. Este prémio era atribuido anualmente, aos artístas que se destacavam na Província de Angola, pelo CITA-Centro de Informação e Turismo de Angola.
Em 1972, em compensação, pelo seu abnegado trabalho em prol da música, recebe uma estatueta referente aos “11 mais da cidade de Luanda”, que premiava as 11 figuras mais destacadas nas diversas áreas profissionais e sociais na cidade de Luanda. No ano de 1974, fruto do intenso trabalho de mobilização, é novamente preso com seu irmão mais novo “Chico Suiça” e remetidos de imediato para “São Nicolau” – Campo I das Salinas, caserna III, donde sairam após clarificação do processo de descolonização e o Sistema ser obrigado a tratar da libertação de todos os presos, principalmente os do foro político.
Aquando da criação do Agrupamento “Kissanguela”, por Mário Silva foi Elias diá Kimuezo, quem sugeriu o nome do mesmo, tendo em conta o momento que se vivia e o trabalho que se pretendia que o Agrupamento produzisse. Desde os meados da década de 60 que Elias diá Kimuezo, pela qualidade do seu trabalho e a constância do seu desempenho, foi considerado como “O Rei da Música Angolana.
Podemos dividir estes instrumentos em:
1- IDIOFONES:
São instrumentos que soam por si mesmo mediante a percussão.
- Saxi (katxakatxa), comumente chamado de maraca, feito de maboque. Depois de seco fazem-se uns pequenos orifícios e no seu interior colocam-se sementes secas. Hoje já se põe, por facilidade, missanga.
- Bavugu, instrumento corrente do grupo Kung. Três cabaças untadas, num conjunto baseado no jogo de ar comprimido e descomprimido, tangido por uma mão num dos orifícios, enquanto que o outro orifício é coberto e descoberto, num movimento de vai e vem contra uma das coxas da perna.
-MEMBRANOFONES
Instrumentos de percussão.
Ngoma (batuque ou tam-tam). Em tempos idos serviu para enviar mensagens.
Há vários modelos que variam segundo a região.
- Mpwita, tambor de fricção, ao que parece originário do Kongo. No interior tem uma vara de madeira com uma das extremidades solidamente liga ao centro da membrana. A mão direita molhada serve para friccionar e a mão esquerda faz pressão na pele de tambor, em função do ritmo que quer marcar.
2- AEROFONES
São instrumentos muito pouco falados. Tem-se conhecimento do Mpungu, espécie de trompa de origem kikongo; do vandumbu, trompa de madeira macia revestida por um enlleamento de fibras, do grupo Ambwela, no sudoeste de Angola e do Njembo-erose, constituído por um chifre de antílope com ressonador doboso de cera de abelha, instrumento limitado à área dos pastores himbas (ovahimba), do grupo Herrero, no sudoeste de Angola.
3- CORDOFONES
Instrumentos de cordas percutidas. É o caso do Hungu, também chamado Mbulumbumba, muito utilizado pelo povo Koisan. É constituído por um arco, que possivelmente antes terá servido para arremessar flechas, com uma cabaça amarrada. A mão esquerda, sustentando o conjunto, pratica um movimento de vai e vem contra o ventre. A mão direita, com uma varinha, percute a corda.
Este instrumento foi levado pelos escravos para o Brasil, onde tem o nome de berimbau e serve para acompanhar uma dança acrobática chamada capoeira de Angola.
a)- INSTRUMENTOS DE CORDAS ESFREGADAS
A Kakocha, espécie de violino com três cordas.
b) INSTRUMENTOS DE CORDAS BELISCADAS
A tchihumba, constituído por cinco cordas de mateba, ou mais, ligadas às a estes e a uma caixa de ressonância. Segura-se com uma das mãos e toca-se com os polegares.
c) - INSTRUMENTOS DE LÂMINAS
- Marimba. De influências culturais asiáticas, é um instrumento que se pode encontrar perto das quedas de Kalandula e também na região da Lunda.
- Kissanji. É um instrumento de som fluido, utilizado para fazer companhia em grandes caminhadas, ou como fundo musical quando um mais velho conta histórias, à volta da fogueira, ao luar. Sobre a tábua harmónica fixam-se as lâminas, que podem ser em bambú ou metal, presas a um cavalete. O instrumento é agarrado com as duas mãos e tocado com o polegar de cada uma. Alguns grandes tocadores chegam a utilizar os indicadores. Também é chamada Mbwetete, quando é feita à base de bambú.
Todos estes instrumentos são utilizados em função dos momentos adaptados às necessidades, tais como nascimento puberdade, casamento, caça, cânticos para a chuva, rituais litúrgicos, funerais, varrer das cinzas, espirituais, etc., entre os muitos ritmos que os acompanham podemos referir a kabetula, kilaphanga, semba (rebita) e makinu.
Fontes:
1. http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_m%C3%BAsica_popular_angolana
2. http://www.consuladodeangola.org/Arte%20e%20Cultura/artcultu.htm