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Angola, 06/01/2010

PR cria gabinete para gestão da política de quadros

Depois de ter tecido críticas à política de gestão de quadros seguida pelo MPLA no VI congresso deste partido, que culminou com o afastamento de Virgílio de Fontes Pereira do secretariado do bureau político, José Eduardo dos Santos mantém as mesmas preocupações em relação ao país no seu todo.

Com efeito, este semanário apurou que a direcção dos recursos humanos do Conselho de Ministros foi desactivada e criado um Gabinete de Gestão da Política de Quadros afecto ao Presidente da República.

De acordo com o Diário da República publicado a 1 de Outubro do ano em curso, o novo gabinete terá uma composição de 34 funcionários, mas ainda não se sabe quem ocupará a nova pasta.

Tanto quanto este jornal apurou, o actual director do gabinete do Presidente da República, Frederico Cardoso, tem sido a pessoa que se tem encarregado do assunto, estando mesmo na incumbência, desde a origem, de um processo de cadastramento dos quadros angolanos formados no país e no estrangeiro.

Sob a alçada deste processo estão os quadros médios e superiores já formados em Angola e no exterior sobre os quais o país pretende ter o controlo.

A gestão dos quadros angolanos tem levantado polémica, de há um tempo a esta parte, nomeadamente na inserção dos mesmos em vários organismos internacionais e do sistema das Nações Unidas, onde Angola aparece mal representada.

Internamente, e face às políticas de algumas empresas influentes do sector petrolífero, foi lançado há alguns anos a política de angolanização consubstanciada na promoção de mais quadros na cadeia de comando dessas empresas.

Entretanto, o sector da construção civil é o que regista um elevado número de pessoal expatriado sem qualificações médias e superiores, num claro prejuízo dos técnicos angolanos, podendo-se o mesmo notar noutras áreas de serviços em que nunca é obedecido o princípio da primazia ao recurso ao mercado angolano para o recrutamento de mão de obra.

O Governo angolano já havia realizado, em Luanda, em Novembro de 2004, um encontro de quadros na diáspora que visou apresentar as perspectivas de inserção dos mesmos no país dadas as oportunidades de oferta de empregos gerada pelos índices de crescimento que Angola estava a conhecer.

De lá para cá, este passo, criasção do Gabinete de Gestão da Política de Quadros é o primeiro acto concreto que reflecte a preocupação do estado angolano para com a inserção dos quadros angolanos na vida nacional.

A direcção dos recursos humanos do Conselho de Ministros tem realizado há já algum tempo, um processo de cadastramento de todos os quadros médios e superiores em toda a Angola que, segundo fonte de O PAÍS poderá estender-se ao exterior do país.

Fonte:O País





















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